O efeito estufa, como um fenômeno natural, é responsável pela existência da vida na Terra. Como uma “estufa”, a atmosfera retém o calor das radiações solares, permitindo o não arrefecimento total do nosso planeta, que, sem essa condição, não seria habitável. A retenção do calor do Sol é feita por partículas sólidas, vapor de água, dióxido de carbono e óxidos de azoto e metano, principalmente.
A queima de combustíveis fósseis (carvão e petróleo), por indústrias e veículos automotivos, foi o principal fator de aumento de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera. Queimadas em áreas florestais e agrícolas também agravam a situação. O aumento desses gases na atmosfera intensifica a retenção do calor na superfície terrestre, elevando a temperatura global. É esse o efeito estufa que preocupa, pois suas conseqüências podem ser catastróficas para a humanidade.
Para conscientizar os países poluidores da necessidade de reduzir a emissão de CO2, várias reuniões e conferências têm sido realizadas.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla inglês Intergovernment Panel on Climate Change), estabelecido pela ONU e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), em 1988, reuniu 2 mil cientistas do mundo todo para avaliar as informações científicas e socioeconômicas disponíveis sobre as alterações de clima sofrida pelo planeta nos últimos tempos, em especial o efeito estufa.
Os resultados desses estudos foram apresentados e discutidos na Convenção sobre Mudanças Climáticas durante a ECO-92, realizada no Rio de Janeiro. Nessa ocasião foram definidas as datas para o controle da emissão de gases causadores do efeito estufa.
A Cúpula do Clima e Aquecimento Global, realizada de 1º a 10 de dezembro de 1997, em Kyoto (Japão), definiu os limites para as emissões (principalmente de dióxido de carbono) causadoras do efeito estufa, bem como um calendário para que esses limites fossem cumpridos. O documento que traz as principais resoluções da conferência foi denominado
Protocolo de Kyoto .
Em dezembro de 200 ocorreu a Conferência de Haia, na Holanda, onde deveria ter sido assinado o acordo para que o Protocolo de Kyoto passasse a valer a partir de 2002.
A reunião de Haia terminou sem uma decisão final, por divergências entre Estados Unidos e União Européia. Outra reunião foi marcada para maio de 2001, em Bonn, na Alemanha. Realizado em julho daquele ano, o encontro não trouxe nada de novo para o avanço das negociações.
A preocupação de todos os países com o efeito estuda é perfeitamente compreensível quando o avaliamos as conseqüências que ele pode trazer para o planeta:
- Se as geleiras continuarem a derreter, por causa do aumento do calor, o nível do mar poderá subir. A projeção é que a elevação média no ano 2100 será de cerca de 50 cm, podendo variar de 15 a 90 cm. Se o nível do mar subir 1m, 17,5% do território de Bangladesh ficará submerso.
- As doenças e infecções provocadas por insetos poderão aumentar.
- Poderá ocorrer uma seca nas regiões tropicais e subtropicais; a degradação dos solos ficará pior em regiões equatoriais, gerando desertos. A fome aumentará nessas regiões.
- Nas altas latitudes, o aumento das chuvas vai acelerar a erosão dos solos.
- Ilhas do Pacífico sul, com baixa altitude, estarão ameaçadas. O Kiribati, na Oceania, já perdeu duas ilhas.
Fonte: Livro "Geografia - Volume Único"