O conflito entre matéria e espírito e também a busca da síntese entre esses opostos é constante no ser humano. Portanto, manifesta-se com maior ou menor intensidade em qualquer época, de forma individual ou coletiva.
Do final do século XVI até aproximadamente a metade do século XVII essa preocupação foi tão forte que se tornou o traço distintivo de todas as manifestações culturais do período, dando origem a um estilo denominado Barroco.
Contexto Histórico
O final do século XVI e início do século XVII caracteriza-se, na Europa, pela ocorrência de conflitos de natureza política, econômica, social e, principalmente, religiosa. A divisão da Igreja, conseqüência da Reforma, colocou em campos opostos protestantes e católicos, salientando suas divergências éticas, morais e sociais.
Isso marcou a cultura européia seiscentistas, levando a Igreja católica a se organizar num movimento chamado de Contra-Reforma, centralizado principalmente em Portugal e na Espanha, redutos do cristianismo em sua feição ainda medieval.
Como o nome diz, a Contra-Reforma propunha uma volta ao medievalismo e a fé na autoridade da Igreja e do rei. A Igreja tentava impedir sua própria fragmentanção.
Confrontam-se, por isso, duas forças: o teocentrismo medieval e o antropocentrismo renascentista.
O homem da época tenta atingir uma síntese desses valores, ou seja, conciliar razão e fé, espiritualidade e materialismo, carne e alma.
A tentativa de conciliar origina um estado de tensão, que se irradia para a maneira de pensar, para as concepções políticas, para a estrutura social, e para a arte produzida no período.
Ao novo estilo, dá-se o nome de
Barroco, termo de origem controvertida. Boa parte dos historiadores concorda que a palavra designava uma pérola de formato irregular.
Em oposição à sobriedade e ao racionalismo da literatura clássica, o estilo barroco mostra-se carregado de recursos que visam a impressionar o leitor.
Muitos historiadores vêem duas tendências básicas no estilo barroco: o cultismo e o conceptismo.
Cultismo - jogo das palavras visando à valorização da forma do texto.
Conceptismo - ocorre sobretudo na prosa; corresponde ao jogo de idéias, à organização da frase com uma lógica que visa a convencer e ensinar.
Temas mais freqüentes da literatura barroca
- fugacidade da vida e das coisas;
- morte, expressão máxima da efemeridade das coisas;
- concepção do tempo como agente da morte;
- castigo, como decorrência do pecado;
- arrependimento;
- narração de cenas trágicas;
- erotismo;
- sobrenatural;
- misticismo;
- apelo à religião.
Barroco em Portugal (1580-1756)
São importantes no Barroco português: padre Antônio Vieira, sóror Mariana Alcoforado, d. Francisco Manuel de Melo. Vou falar apenas do padre Antônio Vieira, que além de ser o mais importante, também participa do barroco brasileiro.
Padre Antônio Vieira (1608-1697)
Nasceu em Lisboa, em 1608. Aos seis anos veio com a família para a Bahia, iniciando seus estudos no Colégio dos Jesuítas. Em 1640, quando Portugal liberou-se do domínio espanhol. Vieira voltou para a terra natal. Adquiriu grande prestígio junto à Corte e foi nomeado pregador-régio. Atacado pela Inquisição por defender os judeus, volto ao Brasil em 1652, estabelecendo-se como chefe de uma missão no Maranhão. Por combater a escravidão a que os colonos portugueses submetiam os indígenas, ele e os demais jesuítas da missão foram expulsos do Maranhão em 1661. Anos depois retornou ao Brasil em caráter definitivo; morreu em 1697 em Salvador.
A obra do padre Vieira compreende principalmente obras de profecias e sermões.
Obras de profecia
Partindo de uma interpretação biblíca, Viera formula profecias para o destino de sua pátria em duas obras: Histórias do futuro e Esperanças de Portugal.
Sermões
O sermão é um discurso religioso. Trata-se da religião, visando a comover, ensinar e persuadir o ouvinte. Geralmente os sermões de Viera, são longos e muito bem elaborados, e chegam ser a mais de duzentos sermões.
Barroco no Brasil
O poema épico Prosopopéia, de Bento Teixeira Pinto, inaugura o Barroco literário brasileiro, em 1601. O estilo perdura até o ano de 1768, quando se publica o livro Obras poéticas, de Cláudio Manuel da Costa, que inicia nosso Arcadismo.
O Barroco acontece primeiro em Pernambuco e na Bahia, sedes da grande riqueza da época: cana-de-açúcar.
Foi nesse período que surgiu o primeiro poeta brasileiro: Gregório de Matos Guerra, e é dele q vou falar.
Gregório de Matos Guerra (1633-1695)
Nasceu na Bahia e, após estudos no colégio dos Jesuítas, foi para Portugal, aonde se formou em Direito pela Universidade de Coimbra. Começou logo a produzir suas sátiras, cujo caráter irreverente provocou sua expulsão de Lisboa. Voltou para o Brasil, onde se envolveu em muitas aventuras, sempre em polêmica com o poder ou os poderosos.
Morreu em Recife e foi enterrado na capela do hospício de Nossa Senhora da Penha. Demolida a capela, não restou nenhum vestígio de Gregório de Matos.
Escreveu poesia lírica, satírica e religiosa.
Fonte: Livro "Língua e Literatura"